sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Arqueólogos descobrem 'casa mais antiga da Grã-Bretanha'


BBC Brasil 11/08/2010 12:03







Arqueólogos anunciaram ter descoberto os restos daquela que pode ser a casa mais antiga do país, habitada por volta de 8.500 A.C.



Pesquisadores das universidades de York e Manchester disseram ter encontrado uma estrutura circular de cerca de 3,5 metros onde, no passado, teria existido uma palhoça de tribos ancestrais de caçadores e coletores. Dentro, os cientistas identificaram um buraco largo, rodeado de pequenas perfurações, onde teriam sido instalados postes.

A estrutura teria contido material orgânico, como junco, e possivelmente teria servido de recipiente para uma fogueira, segundo os pesquisadores. A descoberta foi feita no sítio arqueológico de Star Carr, no condado de North Yorkshire, na costa do nordeste do país, considerado pelos cientistas tão importante quanto Stonehenge.

Até então, os mais antigos restos de uma casa na Grã-Bretanha haviam sido achados em Howick, Northumberland, a cerca de 230 km ao norte de Star Carr. Entretanto, a moradia anunciada agora supera a outra em antiguidade por pelo menos 500 anos, afirmou a equipe.

"Essa é uma descoberta sensacional porque diz muito sobre as pessoas que viveram aqui naquele tempo", disse a arqueóloga Nicky Milner, da Universidade de York, que trabalha em Star Carr desde 2004.

"Por exemplo, parece que a casa pode ter sido reconstruída em diferentes momentos. Também é possível que houvesse mais de uma casa e que muitas pessoas vivessem no mesmo local", explicou.

"Tínhamos a visão de que esses eram povos muito nômades, errantes, mas agora estamos vendo que eram muito mais sedentários e sofisticados. As pessoas viviam no mesmo local por gerações."

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Navio do século XVIII é encontrado nas ruínas do WTC

Parte do casco, que tinha aproximadamente 10 metros.





Funcionários que trabalham na escavação no local onde havia o World Trade Center, em Nova York, descobriram o casco de uma embarcação de 9,75 metros de comprimento, o qual se acredita seja do século XVIII.

O navio foi usado, provavelmente, assim como outros detritos como parte de um aterro para aumentar a ilha de Manhattan sobre o rio Hudson, disseram os arqueólogos.

Os arqueólogos Molly McDonald e Michael A. Pappalardo estavam no local quando os trabalhadores descobriram os artefatos. "Nós percebemos as madeiras trabalhadas em curvas retiradas pela escavadeira", disse Mcdonald, na quarta-feira (14/07). "Nós encontramos rapidamente a balizas do navio e começamos o processo de limpeza que durou dois dias até que o casco pudesse ser visto completamente."

O dois arqueólogos trabalham para a AKRF, empresa contratada para documentar os artefatos descobertos no local. Eles afirmaram que a descoberta de terça-feira (13/07) foi de um valor significativo, mas que ainda é necessário fazer um estudo mais aprofundado para determinar a idade do navio.

domingo, 11 de julho de 2010

Brigam Espanha e Holanda pelos direitos do mar... e da bola.

Restituição da Bahia ao Rei Filipe III, de Espanha, e II de Portugal. Óleo de Juan Bautista Maino.



“Brigam Espanha e Holanda pelos direitos do mar
o mar é das gaivotas que nele sabem voar”

Milton Nascimento e Leila Diniz (1980)


A decisão da 19ª Copa do Mundo de futebol, que coloca à frente Espanha e Holanda, reedita, num plano simbólico, uma antiga rivalidade que marcou o cenário de um mundo em processo de globalização entre finais do século XVI e primeiras décadas do XVII.
Àquela época, depois das expedições marítimas portuguesas e espanholas que, desde o século XV, possibilitaram a construção dos primeiros impérios coloniais da era moderna, França, Inglaterra e Holanda passaram a disputar a primazia dessas conquistas, o que levou à realização das primeiras grandes guerras em escala mundial. Os conflitos europeus passaram a ser disputados não apenas no solo daquele continente, mas em distantes terras da África, Ásia e América.
No caso holandês, os territórios que compunham as terras baixas ao norte da Europa, marcados pela grande importância comercial e marítima, estavam ligados ao vasto império de Carlos V e Filipe II, que englobava a Espanha, a Alemanha e Portugal (depois da União Ibérica em 1580). Com a difusão do sentimento de independência das províncias unidas dos países baixos (sob a liderança holandesa), associada à expansão do protestantismo naquela região, as lutas pela independência da região uniram razões de ordem política, econômica e religiosa, que prolongaram o conflito durante décadas.
Independentes, as Províncias Unidas dos Países Baixos passaram a atacar possessões coloniais espanholas e portuguesas na Ásia, América e África, travando batalhas em terras longínquas banhadas pelo Atlântico, Índico e Pacífico. Nesses conflitos, os Países Baixos constituíram duas fortes companhias comerciais, a das Índias Orientais e das Índias Ocidentais, que desempenharam papéis estratégicos na construção de um poderoso império colonial e num forte poder marítimo.

Batalha Naval do Cabo Branco. Franz Post.



Essas disputas entre Holanda e Espanha pelos direitos do mar, repercutiram em terras distantes de outros continentes. Batalhas terrestres e navais se realizaram com grande intensidade. Entre 12 e 17 de janeiro de 1640, vários combates navais foram travados entre as armadas holandesa e luso-espanhola nas costas entre Itamaracá e o Rio Grande do Norte. No dia 13, o combate naval do Cabo Branco mobilizou dezenas de embarcações e ficou registrado pelo pintor holandês Franz Post. Hoje a batalha é travada em outras plagas e em outros campos, bem menos violentos que os que levaram Holanda e Espanha a brigarem pelos direitos do mar no longínquo século XVII.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Descoberta tumba que conserva cores vivas após 4 mil anos no Egito

cores luminosas com as quais a "porta falsa" da tumba de Jonso está pintada


Como se tivessem sido pintados ontem, assim podem ser descritas as cores da tumba construída há 4,2 mil anos no sítio arqueológico de Saqara, 25 quilômetros ao sul do Cairo e apresentado pelo chefe do Conselho Supremo de Antiguidades egípcio, Zahi Hawas.

"São as cores mais incríveis jamais encontradas em uma tumba", disse Hawas aos jornalistas, que sob o forte sol de julho tentavam tomar nota das antiguidades encontradas e das explicações do egiptólogo mais famoso do país.

Para chegar a tumba, que na realidade são duas, é preciso percorrer vários quilômetros por uma inóspita pista de areia, de onde é possível ver a pirâmide escalonada do faraó Zoser.

Na cripta descansam os restos de dois altos funcionários da V dinastia faraônica (2500-2350 a.C): Sin Dua, sepultado na sala principal do túmulo, e seu filho Jonso, cujos restos foram depositados em uma sala adjacente à de seu pai.

Estes sepulcros "fazem parte de um enorme cemitério descoberto recentemente na área de Saqara por uma missão arqueológica egípcia que trabalha na região desde 1988", explicou Hawas.

Esta necrópole, da qual não se tinha notícia, como comentou Hawas, se encontra dentro do complexo arqueológico de Saqara, em uma área conhecida como "Yiser al Mudir" e na qual o arqueólogo egípcio espera realizar muitas descobertas.

domingo, 20 de junho de 2010

FUTEBOL E HISTÓRIA NA TRAJETÓRIA DE UM GOLEIRO.


Marcos Carneiro de Mendonça




“e quem, tendo visto a seleção brasileira em seus dias de glória, negará sua pretensão à condição de arte?”
Eric J. Hobsbawm. Era dos Extremos: o breve século XX.


Nada aparentemente mais distante do que as carreiras esportiva e intelectual, especialmente no que tange à prática do futebol, esporte que se popularizou no Brasil ao longo do século XX. Entretanto, a trajetória de Marcos Carneiro de Mendonça, goleiro do Fluminense e do primeiro selecionado brasileiro de futebol, é bastante singular a esse respeito.

Seleção Brasileira campeã sul-americana em 1919.






Marcos Mendonça, nascido em Cataguases (MG), em 1894, radicou-se no Rio de Janeiro, onde integrou as equipes do América e do Fluminense, na posição de goleiro. Defendeu o primeiro selecionado brasileiro em 1914, que enfrentou o Exeter City, da Inglaterra. Seguiu com a seleção pelos anos seguintes, conquistando os campeonatos sul-americanos de 1919 e 1922.
Ao encerrar a carreira futebolística, tornou-se dirigente do Fluminense e também desenvolveu carreira de historiador, associando-se ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Publicou a importante obra “Raízes da Formação Administrativa do Brasil” (1972), que reúne significativa documentação sobre a administração colonial. Também publicou obras sobre a Amazônia no período pombalino e sobre o governo de D. João VI. Sua magnífica residência no bairro do Cosme Velho, o Solar dos Abacaxis, era ponto de importantes reuniões culturais, onde ele e sua esposa, a poetisa Anna Amélia Mendonça, recebiam intelectuais, políticos, empresários, entre outros convidados. Dona Amélia foi fundadora da Casa do Estudante do Brasil, entidade que promoveu a realização do I Congresso Nacional dos Estudantes, que culminou com a fundação da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Solar dos Abacaxis, residência de Marcos e Amélia Mendonça e local de importante vida cultural.






Considerando a disputa da 19ª Copa do Mundo de Futebol e a condição de popularidade desse esporte no Brasil e na maior parte do mundo, os historiadores precisam estudar melhor esse fenômeno contemporâneo, inclusive com o desenvolvimento de pesquisas sobre acervos de clubes que se extraviam dia a dia. A possibilidade de estudar a história de clubes ligados a categorias profissionais (como ferroviários, eletricitários, entre outras) ou de bairros, pode permitir o desenvolvimento de uma visão mais ampla da prática esportiva – superando o desgastado chavão de sua função alienante – além de permitir entrever aspectos muito significativos e pouco conhecidos de nossa história social.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Arqueólogos encontram 100 vasilhas de 3.500 anos em Israel














JERUSALÉM, 7 Jun 2010 (AFP) -Em torno de cem recipientes de 3.500 anos, utilizados para cerimônias pagãs, foram encontrados no norte de Israel, anunciou nesta segunda-feira uma equipe de arqueólogos.

Essa descoberta, por sua antiguidade e bom estado, é "extremamente rara", explicaram Edwin van den Brink e Uzi Ad, responsáveis pelas escavações que duraram duas semanas em um terreno de depressão natural em um substrato rochoso de Tel Qashish, perto de Haifa.

"Nunca tinha sido descoberto esse tipo de objeto, de 3.500 anos, e é extraordinário encontrá-los em tal estado de conservação", explicaram.

Entre os objetos encontrados está uma vasilha para queimar incenso e um copo adornado com a forma de uma mulher, que pode ter sido utilizado para fazer oferendas ou libações a uma divindade.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Descoberta a tumba mais antiga da América Central












Arqueólogos encontraram no sul do México uma pirâmide contendo a tumba de uma alta autoridade pré-colombiana que pode ser a mais antiga do seu tipo em toda a Mesoamérica, a região que se estende do sul do México até a Costa Rica.

A pirâmide contém quatro esqueletos, indicando um enterro múltiplo realizado há 2,7 mil anos.De acordo com os cientistas, seria o antecedente mais remoto do uso de pirâmides como recintos funerários em toda a região.

Dois dos esqueletos, segundo os cientistas, estariam rodeados de pedras de jade e âmbar, além de objetos valiosos para a época, feitos de cerâmica. Isto indicaria que um deles poderia ser o de um importante líder ou clérigo de Chiapa de Corzo, um proeminente assentamento da época.

domingo, 21 de março de 2010

A EMPAREDADA DA RUA NOVA: UM CENTENÁRIO ROMANCE RECIFENSE















Rua Nova em 1880, poucas décadas após o suposto crime e onde se desenrolou parte substancial da trama. Maurício Lamberg, 1880.


Entre 1909 e 1912 o Jornal Pequeno, em Recife, publicou em folhetim o romance “A Emparedada da Rua Nova”, do escritor Joaquim Maria Carneiro Vilela (1846-1913). O intrigante enredo se referia a uma suposta lenda local, que teria se passado em meados do século XIX, e dava conta de que um enfurecido pai, o rico comerciante português Jaime Favais, teria mandado emparedar viva a sua filha, devido a uma indesejável gravidez resultante de um caso com um aventureiro galanteador, que – de quebra – ainda tivera um romance com a esposa de Favais. O conquistador ainda acaba assassinado a mando de Favais.
Na intrincada trama, Carneiro Vilela faz desfilar uma vasta gama de personagens, das mais altas classes a pessoas imersas na marginalidade e no crime, deixando entrever um convívio promíscuo entre os distintos grupos sociais. Grandes comerciantes, famílias de escol, gente da mais fina qualidade e moradores de imponentes sobrados, dividia seus segredos e intimidades com escravos domésticos, empregados, pessoas das classes mais baixas, habitantes dos mocambos à beira dos manguezais da cidade. É entre esses despossuídos e marginalizados que o abastado comerciante encontra os agentes dos macabros crimes que urde.










Mocambos onde residiam os marginalizados e onde Favais teria recrutado os criminosos. Detalhe de vista a partir dos Coelhos. Litografia de Luís Schlappriz, 1863.

Uma atmosfera geral de hipocrisia estabelecia o forte tom naturalista do romance, no qual Vilela carregava as tintas, especialmente em relação à sua posição anticlerical, denunciando educandários de freiras como antros de fanatismo, atacando diversas irmandades católicas, entre outras. Os personagens, das classes altas e baixas, vão tendo as suas vidas desnudadas e se revela uma profunda corrupção dos mesmos.
À parte o tom polêmico do escrito, “A Emparedada” realiza um rico retrato da sociedade recifense da segunda metade do Oitocentos, a partir da perspectiva de um destacado escritor e jornalista local. Apresentamos artigo mais detalhado sobre esse palpitante romance, que pode ser acessado na coluna de textos autorais, nesse mesmo blog.













Passagem da Madalena, onde os ricos realizavam suas estações de veraneio e tomavam banhos de rio (as pequenas palhoças eram banheiros para os banhistas) e onde se desenrolaram os eventos amorosos que culminaram com o trágico desenlace. Passagem da Madalena. Litografia de Luís Schlappriz, 1863.

Um personagem do Atlântico seiscentista



Retrato de André Vidal, no Museu do Estado de Pernambuco.




Nascido na Paraíba, em data desconhecida no início do século XVII, André Vidal de Negreiros foi um personagem de uma trajetória singular.
Sua origem é pouco clara, algumas fontes disponíveis indicam que o mesmo seria filho de um dono de um pequeno engenho ou lavrador de canas, outras que seu pai era um bombardeiro português, ou ainda um modesto carpinteiro. Seja como for, Vidal assumiu uma destacada posição no agitado mundo colonial português seiscentista.
As primeiras notícias dos biógrafos sobre Vidal, dão conta de sua participação voluntária na resistência contra a invasão holandesa à Bahia, em 1624. Mas ele acabou se notabilizando na resistência ao domínio holandês em Pernambuco e capitanias vizinhas, acabando por se tornar num dos principais chefes do movimento que culminou com a expulsão dos holandeses, após a longa ocupação (1630-1654).
Por consideração aos seus méritos militares, recebeu honrarias diversas e os governos do Maranhão (1655-56), Pernambuco (1657-1661), Angola (1661-1666) e, novamente, Pernambuco (1667). Nessas travessias atlânticas, esteve envolvido ativamente em diversas circunstâncias fundamentais para os destinos do império lusitano no período, como a restauração portuguesa do domínio espanhol após a União Ibérica (1580-1640), as guerras entre as potências européias pelos seus vastos impérios coloniais, as disputas pelo reordenamento da autoridade portuguesa nas Capitanias do norte brasileiro e maranhense, a questão indígena e as disputas entre colonos e missionários pelo controle dos aldeamentos, o tráfico atlântico de escravos e a crise da economia açucareira.
Um personagem de tal significação é objeto de nossas pesquisas recentes, que contam com a publicação de artigo na coletânea “Ensaios sobre a América Portuguesa”, sobre a qual postamos divulgação do lançamento nesse blog, em 13/12/2009.





Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, em Luanda, construída originalmente por Vidal de Negreiros, onde ele mandou enterrar a cabeça do Rei do Congo, D. Antônio I, o Mani Mulaza, o qual havia derrotado na Batalha de Ambuíla, em 1665. Esse episódio foi fundamental para a retomada do controle do tráfico de escravos na região.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Arqueólogos encontram muro de antiga cidade maia


Arqueólogos descobriram local com escrituras e objetos da civilização Maia, em Chiapas


Cientistas do Instituto de Antropologia e História do México (INAH) divulgaram nesta quinta-feira a descoberta de um muro em um sítio arqueológico maia no no sul do estado de Chiapas. Junto ao muro estava uma estátua do hierarca mais poderoso da antiga cidade de Toniná, cujo nome não foi divulgado.
Segundo informações da agência EFE, os pesquisadores relataram ter encontrado no local também textos glíficos com o nome do hierarca da antiga civilização. Os textos ainda não foram decifrados.