terça-feira, 22 de março de 2011

Um dia 22 de Março, há 43 anos













Passeatas de estudantes, professores, operários e diversos grupos sacudiram a França


No dia 22 de março de 1968, os estudantes da Universidade de Nanterre (Paris X) ocuparam as instalações da Faculdade de Letras, em protesto contra a repressão que havia se abatido sobre alguns colegas, que haviam se manifestado contra a guerra do Vietnã.
Esse protesto estudantil acabou se transformando numa espécie de estopim para os acontecimentos que sacudiram a França nos meses seguintes e que tiveram o seu clímax em maio daquele ano, quando aconteceram passeatas, greves, barricadas nas ruas, enfrentamentos com a polícia, ocupações de fábricas e intensa crise governamental. Esses turbulentos movimentos recuaram a partir de junho. Ao longo desses meses, além da França, diversos movimentos estudantis e juvenis também abalaram governos e sociedades em diversos continentes deixando autoridades e intelectuais atônitos com a sua dimensão e a velocidade dos acontecimentos.

As greves e ocupações de fábricas e universidades sacudiram a França em maio de 1968












Até hoje, passadas quatro décadas desses acontecimentos, os estudiosos se dividem quanto aos significados de todas aquelas movimentações. Fugindo aos parâmetros mais nítidos de movimentos de classe, emergiram diversas lutas, que tiveram como foco uma miríade de questões, que iam algumas situações mais próprias do mundo do trabalho, a outras, ligadas à liberação sexual, às lutas de minorias étnico-culturais, às questões da juventude, aos incipientes protestos ambientalistas, entre outras.


Práticas políticas, pixações e palavras de ordem desconcertantes, abalavam os dogmas mais estabelecidos à direita e à esquerda. "Debaixo dos paralelepípedos, a praia", "Sejam realistas, exijam o impossível", "A imaginação toma o poder" eram marcas de novas formas de exercício de lutas sociais, políticas e culturais, que deixaram um legado ainda não devidamente compreendido. Esgotamento de lutas passadas ou prenúncio de lutas futuras? Qual o significado daqueles acontecimentos que se desenrolaram a partir daquele dia 22 de março, no qual se iniciava a primavera na França? O debate continua.

A barricada fecha as ruas, mas abre os caminhos, um dos lemas dos agitados dias de 68

sábado, 11 de dezembro de 2010

E em três lotes, vendeu o Brasil inteiro.





Noel Rosa, que hoje chega ao centenário







Não se trata de um leilão de privatização, desses que quase liquidaram o patrimônio nacional a preço de banana, na década de 1990. No caso em tela, em 1932, o leiloeiro era um jovem de 22 anos, magricela, com um problema na mandíbula resultado de um parto a fórceps, chamado Noel de Medeiros Rosa. Nesse samba, de resto politicamente incorreto (em tempos em que isso simplesmente inexistia), Noel colocava à venda, em três lotes, uma mulata, um violão e um samba e a partir deles pretendia definir todo o Brasil.
Noel, jovem de classe média do bairro carioca de Vila Isabel, nascido em 11 de dezembro de 1910 e que hoje chega ao centenário, foi um grande inovador da música brasileira. Viveu apenas 26 anos e deixou um verdadeiro tesouro de grandes composições, onde podemos destacar alguns clássicos de nosso cancioneiro, como Feitio de Oração, Feitiço da Vila, Palpite infeliz, Com que roupa?, Conversa de botequim, Não tem tradução, As Pastorinhas, Último desejo, João Ninguém, Três Apitos, entre tantas outras de suas mais de 200 músicas, que encheriam todo o volume desse breve texto e ainda faltaria espaço.






Auto-caricatura de Noel







A inteligência de suas letras, o talento de suas músicas, a felicidade de suas muitas parcerias e a qualidade de seus inúmeros intérpretes trouxe uma fabulosa crônica da vida carioca das décadas de 1920 e 30, com tiradas marcadas pelo mais refinado bom humor e pela observação arguta dos costumes, como em Coisas Nossas, um divertido retrato de sua época. Suas muitas paixões também garantiram algumas das músicas mais marcadas pelos sentimentos, sem render ao estilo piegas que grassa em boa parte da música que costuma a se praticar nos dias que correm.




Álbum triplo gravado por Aracy de Almeida, uma das grandes intérpretes da obra de Noel





Noel Rosa chega jovem e atual ao centenário, além de ser testemunho de um de nossos maiores tesouros: a nossa vasta e diversificada cultura musical. Um país que conseguiu e ainda consegue produzir algo de tal qualidade não precisa apostar na sua própria inviabilidade, no seu fracasso estrutural, como tentaram nos fazer crer os leiloeiros falsos em tempos recentes. Viva Noel.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Doze esfinges são achadas em avenida entre templos egípcios














Uma das 12 efinges encontradas no Cairo, Egito; as estátuas tem corpo de leão e cabeça humana ou de carneiro


Uma equipe de arqueólogos descobriu 12 novas esfinges, estátuas com corpo de leão e cabeça humana ou de carneiro, na antiga avenida que unia os templos faraônicos de Luxor e Karnak, a 600 quilômetros ao sul do Cairo, no Egito.

Segundo um comunicado do Conselho Supremo de Antiguidades, estas esculturas datam da época do último rei da 30ª dinastia (343-380 a. C.).

A avenida, ladeada por uma dupla fila de esfinges que representavam o deus Amon, tem cerca de 2.700 metros de comprimento e 70 de largura e foi construída por Amenhotep 3º (1372-1410 a.C.) e restaurada, posteriormente, por Nectanebo 1º (380-362 a.C.).

Por outro lado, os arqueólogos descobriram também um novo caminho que une a avenida onde foram achadas as estátuas, com o rio Nilo.

A nota explica que, até o momento, só foram desenterrados 20 metros dos 600 que compõem o novo caminho, e que continuam as escavações para descobrir o resto deste trajeto, construído com pedra de arenito, um sinal da importância que tinha em seu tempo, esclarece o comunicado.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Mais do que um café com leite à mesa eleitoral


Em Republicanismo e Federalismo, a historiadora Rosa Godoy demonstrou os complexos arranjos de poder que marcaram a politica dos governadores na República Velha.



Um certo vício historiográfico, de reduzir a política brasileira da primeira república (também conhecida por República Velha) a uma mera troca de poderes e cargos entre São Paulo e Minas Gerais, implica numa dificuldade em entender dois componentes fundamentais da estrutura política brasileira: o federalismo e a presença das classes populares.
Os arranjos de poder, embora tivessem um componente central nos Estados economicamente hegemônicos, não podia prescindir das composições mais miúdas, com os poderes de Estados de menor poder econômico ou com influências locais representativas. Some-se a isso que essa política dos Estados – conhecida como política dos governadores – não deixava de receber um efeito complicador, com a presença dos mais diversos grupos sociais em disputa, para além dos estreitos quadros das elites regionais. Embora os movimentos sociais não dispusessem de um poder de fogo que possa ser superdimensionado, não podemos desprezar sua presença no tabuleiro político da República Velha.
Assim, a realização das eleições presidenciais e a composição subseqüente dos ministérios, implicava na necessidade de atender a uma complexa rede de poderes, que contemplasse as forças hegemônicas, mas que também acomodassem os grupos de menor poder de fogo, cujo apoio era indispensável para possibilitar estabilidade política. O equilíbrio de poder era mais precário do que a simples idéia de uma locomotiva carregando um monte de vagões vazios, como a elite econômica paulista propagandeava aos quatro ventos, para exaltar a pujança da terra bandeirante. Na hora de dividir o bolo de poder, algum naco deveria contemplar os grupos locais, por mais desprezíveis que eles pudessem parecer aos homens da paulicéia. Na hora em que a população mais pobre ameaçasse se manifestar e desafiar privilégios, os pretensos requintados barões do café ou os toscos coronéis do interior se uniam para garantir a exclusividade de seu mando.

Em Poder Local e Ditadura Militar, a historiadora Monique Cittadino demonstrou como o poder central precisou transacionar com poderes locais, mesmo de Estados de maior fragilidade econômica.





Mesmo nos momentos de extrema centralização do poder em torno do Executivo Federal (no Estado Novo e na ditadura militar), o concurso de grupos de apoio ao poder central era essencial para garantir as bases de exercício da dominação política. Getúlio Vargas ou os militares tiveram que se defrontar com situações, muitas vezes incômodas, para equilibrar e tentar atender as demandas de seus próprios grupos de sustentação.
Colocando em perspectiva as eleições de 2010, podemos concluir em largas pinceladas que o coquetel que compõe o poder conta com a presença efetiva das profundas e complexas diferenças regionais expressas pelo nosso peculiar federalismo, além da presença cada vez “perturbadora” das classes populares no cenário político, o que tolda as simplistas visões daqueles que pensam que tudo nesse país se resolve exclusivamente no espigão da Avenida Paulista.

Em "Quando novos personagens entraram em cena", o sociólogo Éder Sáder demonstrou a presença cada vez mais significativa dos movimentos sociais e das classes populares no cenário político brasileiro.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Os Abutres da Montanha

Alívio em relação ao drama humano.







“Em 1860 foi promulgada a lei de inspeção das minas que previa a fiscalização delas por funcionários especialmente nomeados para esse fim... Essa lei ficou sendo letra morta em virtude do número ridiculamente ínfimo dos inspetores nomeados, dos escassos poderes que lhes foram conferidos e de outras causas que serão objeto de nosso exame”
Karl Marx, O Capital. (1867)


Não há segredos que um dos mais periculosos trabalhos desempenhados por seres humanos é o que acontece em minas, nas quais se extraem riquezas minerais diversas e onde acontecem dramas aterrorizantes, como explosões, soterramentos e mortes, divulgados quase que diariamente pelos meios noticiosos. Também não é segredo dos mais recônditos que a ânsia de lucros, leva as grandes mineradoras (como, de resto, muitas empresas nesse velho e bom mundo capitalista, inclusive em sua modalidade chinesa) a maximizarem a exploração do trabalho e a se descuidarem dos custos mais básicos de segurança dos trabalhadores.
Ao discutir a legislação fabril inglesa na segunda metade do século XIX, Marx já chamava atenção para a precariedade do trabalho nas minas e a inexistência de uma fiscalização rigorosa das condições de trabalho em seu interior. Esse diagnóstico chega a ganhar bastante atualidade, mesmo depois de mais de um século que nos separa dos escritos acima.
O Chile, que reúne uma vasta reserva de riquezas minerais, tem uma atribulada história nesse sentido. É bem conhecido o massacre de cerca de 3.600 mineiros de salitre na cidade de Iquique, em 1907, celebrizado pela Cantata Popular de Santa Maria de Iquique, de autoria de Luis Advis e gravada pelo Grupo Quilapayun, em 1970. Esses mineiros, mobilizados para reivindicar melhorias em suas condições de vida e trabalho, se refugiaram na Escola de Santa Maria daquela cidade, onde acabaram sendo chacinados pela repressão desencadeada pelas autoridades, que acobertaram os interesses dos donos das mineradoras e dos setores fabris e comerciais a eles associados.

Na Cantata, a lembrança da brutal repressão aos mineiros de Iquique, no início do século XX.












Três anos após a gravação da cantata, lançada durante o governo socialista de Salvador Allende, o Chile sofreu um brutal golpe de estado em 11 de setembro de 1973, comandado pelo famigerado general Pinochet (um dos maiores carrascos do século XX), que desencadeou uma feroz repressão aos opositores de vários matizes e aos movimentos de trabalhadores. Entre os financiadores do golpe, estavam grandes empresas mineradoras, como a norte-americana Anaconda, que também recebeu apoio direto do governo de Washington para “salvar a democracia” através de uma ditadura das mais sombrias que já se abateu sobre o nosso continente.
No recente drama dos mineradores chilenos soterrados e salvos com sucesso, acompanhado com suspense pelas pessoas em todo o mundo, além da grandiosa questão da dimensão humana envolvida na luta pela sobrevivência, estão contidos todos os ingredientes que caracterizam esse tipo de situação e que provém de uma longa duração do nosso sistema de produção de riquezas sob a égide do capital: intensa exploração dos trabalhadores, precariedade das condições de segurança em função da redução de custos pelas gestões “modernas” das empresas, pouco caso ou cumplicidade das autoridades responsáveis pela fiscalização. Some-se a isso um aspecto que Marx apenas entreviu em meados do oitocentos, mas que mostra toda a sua desenvoltura nos dias que correm: a manipulação intensa dos acontecimentos pelos meios de comunicação, que massificam o acontecimento, mas escamoteiam questões essenciais.
Para além do drama humano e do verdadeiro heroísmo desses trabalhadores – um dos aspectos profundamente edificantes dessa história – se escondem interesses sórdidos, a respeito dos quais muitas verdades têm de ser apuradas. A exaltação patrioteira comandada pelo Presidente Piñera, tenta obliterar a necessidade de investigações muito rigorosas, que levem à punição efetiva dos responsáveis pela quase tragédia que terminou bem, para alívio de todos nós. O exame das questões ligadas à cupidez da empresa e à leniência das autoridades precisam vir à luz do dia, assim como os mineiros que foram tirados das profundezas da terra.


Em A Montanha dos Sete Abutres, um jornalista sedento por fama, não hesitou em explorar a tragédia de um mineiro soterrado.


Em 1951, o grande ator Kirk Douglas estrelou o filme “A Montanha dos Sete Abutres”, no qual desempenhou o papel de um medíocre e inescrupuloso jornalista de uma pequena cidade nos rincões do Novo México, que ficou sabendo que um trabalhador mineiro havia sido soterrado numa velha mina. Aproveitando-se da boa fé e da confiança do trabalhador, o jornalista manipulou o drama em função de sua própria notoriedade, sendo responsável pelo trágico desfecho final da trama. Não é segredo para ninguém que a carniça cheira mal e longe e que muitos abutres já estão se aproximando dos trabalhadores resgatados e de suas famílias, farejando oportunidades de grandes e suculentos negócios (promoção política, venda de produtos, produção de filmes de sucesso etc.). A nossa expectativa é que, passado o drama e encerrada a exploração midiática, verdadeiras providências sejam tomadas para garantir a integridade desses trabalhadores (potenciais vítimas da exploração e posterior descarte de suas imagens) e de outros, que continuam a se arriscar diariamente nos recônditos da terra e estão sujeitos a acidentes com desfechos mais trágicos, para propiciar o conforto de nosso bom e velho mundo capitalista.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Estrada no deserto leva a descoberta no Egito

Cálculos de impostos em pedaço de cerâmica recuperado pelo casal Darnell



Casal de arqueólogos faz novas descobertas viajando por estradas abandonadas no deserto ocidental egípcio.

Ao longo das duas últimas décadas, John Coleman Darnell e sua esposa, Deborah, caminharam e dirigiram por trilhas de caravanas a oeste do Nilo, partindo dos monumentos de Tebas – cidade hoje chamada de Luxor. Essas e outras estradas desoladas, castigadas pelo tráfego milenar de humanos e burros, pareciam levar a lugar nenhum.

Fazendo o que eles chamam de arqueologia de estradas desertas, os Darnells encontraram porcelanas e ruínas em locais onde soldados, mercadores e outros viajantes acamparam na época dos faraós. Num penhasco de calcário com uma encruzilhada, eles se depararam com um quadro de cenas e símbolos, algumas das mais antigas documentações da história egípcia. Em outro local, eles encontraram inscrições consideradas os primeiros exemplos da escrita alfabética.

Cidade no deserto

Zahi Hawass, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, afirmou que os arqueólogos encontraram extensas ruínas de uma povoação – aparentemente um centro administrativo, econômico e militar – que floresceu há mais de 3.500 anos no deserto do oeste, 180 quilômetros a oeste de Luxor e 480 quilômetros ao sul de Cairo. Numa época tão antiga, nenhum centro urbano como esse jamais foi encontrado no inóspito deserto.

John Darnell, professor de egiptologia em Yale, disse numa entrevista na semana passada que a descoberta poderia reescrever a história de um período pouco conhecido do passado egípcio e do papel desempenhado pelos oásis, aquelas ilhas de plantas e palmeiras e fertilidade, no renascimento da civilização depois de uma crise negra. Outros arqueólogos não envolvidos na pesquisa afirmaram que as descobertas eram impressionantes e que, assim que for publicado um relato mais detalhado e formal, elas certamente agitarão o mundo acadêmico.

A padaria

Forma dupla para pão.








Foi em 2005 que os Darnells e sua equipe começaram a coletar as evidências que os levariam a uma importante descoberta: ruínas de muros de tijolos, pedras amoladoras, fornos com montes de cinzas e moldes de pão quebrados.

Descrevendo a meia tonelada de artefatos de padaria coletada, além de sinais de uma guarnição militar, John Darnell disse que a povoação estava “assando pão suficiente para alimentar um exército, literalmente”. Isso inspirou o nome do sítio, Umm Mawagir. A frase em árabe significa “mãe dos moldes de pão”.

“Agora sabemos que existe algo grande em Kharga, e isso é muito instigante”, disse Darnell. “O deserto não era uma terra de ninguém, não era o oeste selvagem. Era selvagem, mas não desorganizado. Se você quisesse se envolver com o comércio no deserto do oeste, era preciso lidar com o povo do oásis de Kharga”.

Encontrar uma comunidade aparentemente robusta como centro de atividade de grandes rotas de caravanas, segundo Darnell, deve “nos ajudar a reconstruir uma imagem mais elaborada e detalhada do Egito durante um período intermediário” – após o chamado Império Médio e logo antes do surgimento do Império Novo.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Templo com mais de 3 mil anos é descoberto na Jordânia


Estatuetas do templo moabita de 3000 anos descoberto na Jordânia






A localização de um templo moabita de 3 mil anos foi anunciada hoje pelo Departamento de Antiguidades jordaniano, que classificou a descoberta como uma das mais importantes da Idade do Ferro (que se estendeu de 1.500 a 27 a.C.).

No templo de três andares e cuja construção acredita-se tenha ocorrido entre o período 1.200 e 600 a.C. foram encontradas mais de 300 peças.

A análise indica que existe a possibilidade de a construção fazer parte de um centro político e religioso do reino de Moabe, como detalhou o diretor do departamento jordaniano, Ziad Saad.

A descoberta ocorreu próximo à cidade de Dhiban, a 50 quilômetros ao sul de Amã. "A Idade de Ferro foi um grande e importante período histórico e político no qual reinos fortes alcançaram inúmeros avanços tecnológicos", disse o diretor do Departamento de Antiguidades.

Acredita-se que os moabitas eram tribos pertencentes aos cananeus que se estabeleceram na margem do rio Jordão no século 14 a.C. Seu reino chegou ao fim com a invasão persa, por volta do século 7 a.C.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Arqueólogos descobrem 'casa mais antiga da Grã-Bretanha'


BBC Brasil 11/08/2010 12:03







Arqueólogos anunciaram ter descoberto os restos daquela que pode ser a casa mais antiga do país, habitada por volta de 8.500 A.C.



Pesquisadores das universidades de York e Manchester disseram ter encontrado uma estrutura circular de cerca de 3,5 metros onde, no passado, teria existido uma palhoça de tribos ancestrais de caçadores e coletores. Dentro, os cientistas identificaram um buraco largo, rodeado de pequenas perfurações, onde teriam sido instalados postes.

A estrutura teria contido material orgânico, como junco, e possivelmente teria servido de recipiente para uma fogueira, segundo os pesquisadores. A descoberta foi feita no sítio arqueológico de Star Carr, no condado de North Yorkshire, na costa do nordeste do país, considerado pelos cientistas tão importante quanto Stonehenge.

Até então, os mais antigos restos de uma casa na Grã-Bretanha haviam sido achados em Howick, Northumberland, a cerca de 230 km ao norte de Star Carr. Entretanto, a moradia anunciada agora supera a outra em antiguidade por pelo menos 500 anos, afirmou a equipe.

"Essa é uma descoberta sensacional porque diz muito sobre as pessoas que viveram aqui naquele tempo", disse a arqueóloga Nicky Milner, da Universidade de York, que trabalha em Star Carr desde 2004.

"Por exemplo, parece que a casa pode ter sido reconstruída em diferentes momentos. Também é possível que houvesse mais de uma casa e que muitas pessoas vivessem no mesmo local", explicou.

"Tínhamos a visão de que esses eram povos muito nômades, errantes, mas agora estamos vendo que eram muito mais sedentários e sofisticados. As pessoas viviam no mesmo local por gerações."

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Navio do século XVIII é encontrado nas ruínas do WTC

Parte do casco, que tinha aproximadamente 10 metros.





Funcionários que trabalham na escavação no local onde havia o World Trade Center, em Nova York, descobriram o casco de uma embarcação de 9,75 metros de comprimento, o qual se acredita seja do século XVIII.

O navio foi usado, provavelmente, assim como outros detritos como parte de um aterro para aumentar a ilha de Manhattan sobre o rio Hudson, disseram os arqueólogos.

Os arqueólogos Molly McDonald e Michael A. Pappalardo estavam no local quando os trabalhadores descobriram os artefatos. "Nós percebemos as madeiras trabalhadas em curvas retiradas pela escavadeira", disse Mcdonald, na quarta-feira (14/07). "Nós encontramos rapidamente a balizas do navio e começamos o processo de limpeza que durou dois dias até que o casco pudesse ser visto completamente."

O dois arqueólogos trabalham para a AKRF, empresa contratada para documentar os artefatos descobertos no local. Eles afirmaram que a descoberta de terça-feira (13/07) foi de um valor significativo, mas que ainda é necessário fazer um estudo mais aprofundado para determinar a idade do navio.

domingo, 11 de julho de 2010

Brigam Espanha e Holanda pelos direitos do mar... e da bola.

Restituição da Bahia ao Rei Filipe III, de Espanha, e II de Portugal. Óleo de Juan Bautista Maino.



“Brigam Espanha e Holanda pelos direitos do mar
o mar é das gaivotas que nele sabem voar”

Milton Nascimento e Leila Diniz (1980)


A decisão da 19ª Copa do Mundo de futebol, que coloca à frente Espanha e Holanda, reedita, num plano simbólico, uma antiga rivalidade que marcou o cenário de um mundo em processo de globalização entre finais do século XVI e primeiras décadas do XVII.
Àquela época, depois das expedições marítimas portuguesas e espanholas que, desde o século XV, possibilitaram a construção dos primeiros impérios coloniais da era moderna, França, Inglaterra e Holanda passaram a disputar a primazia dessas conquistas, o que levou à realização das primeiras grandes guerras em escala mundial. Os conflitos europeus passaram a ser disputados não apenas no solo daquele continente, mas em distantes terras da África, Ásia e América.
No caso holandês, os territórios que compunham as terras baixas ao norte da Europa, marcados pela grande importância comercial e marítima, estavam ligados ao vasto império de Carlos V e Filipe II, que englobava a Espanha, a Alemanha e Portugal (depois da União Ibérica em 1580). Com a difusão do sentimento de independência das províncias unidas dos países baixos (sob a liderança holandesa), associada à expansão do protestantismo naquela região, as lutas pela independência da região uniram razões de ordem política, econômica e religiosa, que prolongaram o conflito durante décadas.
Independentes, as Províncias Unidas dos Países Baixos passaram a atacar possessões coloniais espanholas e portuguesas na Ásia, América e África, travando batalhas em terras longínquas banhadas pelo Atlântico, Índico e Pacífico. Nesses conflitos, os Países Baixos constituíram duas fortes companhias comerciais, a das Índias Orientais e das Índias Ocidentais, que desempenharam papéis estratégicos na construção de um poderoso império colonial e num forte poder marítimo.

Batalha Naval do Cabo Branco. Franz Post.



Essas disputas entre Holanda e Espanha pelos direitos do mar, repercutiram em terras distantes de outros continentes. Batalhas terrestres e navais se realizaram com grande intensidade. Entre 12 e 17 de janeiro de 1640, vários combates navais foram travados entre as armadas holandesa e luso-espanhola nas costas entre Itamaracá e o Rio Grande do Norte. No dia 13, o combate naval do Cabo Branco mobilizou dezenas de embarcações e ficou registrado pelo pintor holandês Franz Post. Hoje a batalha é travada em outras plagas e em outros campos, bem menos violentos que os que levaram Holanda e Espanha a brigarem pelos direitos do mar no longínquo século XVII.