segunda-feira, 23 de julho de 2012

Neandertais conheciam propriedades medicinais das plantas

Um grupo internacional de pesquisadores demonstrou que os neandertais que viviam no sítio arqueológico de El Sídron, na Espanha, conheciam as propriedades medicinais e nutricionais de algumas plantas, como a camomila, e incluíam vegetais em sua dieta.


A pesquisa, que contou com a participação de especialistas do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) da Espanha, da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) e da Universidade de York (Reino Unido), chegou a estas conclusões a partir da análise do tártaro presente nos dentes de cinco indivíduos adultos e de um jovem da espécie.
Até pouco tempo atrás, pensava-se que os neandertais, que foram extintos há cerca de 30 mil e 24 mil anos, eram predominantemente carnívoros.
No entanto, cada vez mais estudos, como este publicado na revista alemã "Naturwissenschaften", mostram que a espécie também se alimentava de vegetais, sobretudo em latitudes mais ao sul, disse à Agência Efe Antonio Rosas, diretor do grupo de paleoantropologia do Museu Nacional de Ciências Naturais e um dos autores do trabalho.
"Está se observando que sobretudo em latitudes mais ao sul da Europa, como em El Sidrón, os neardentais tinham um componente vegetal nada desdenhável em sua dieta", explicou.
"A carne era claramente primordial, mas nossa pesquisa evidencia uma alimentação bastante mais complexa do que sabíamos até agora", explicou Karen.
A presença de componentes vegetais na dieta da espécie não é a única descoberta do trabalho. Segundo Rosas, foram encontradas evidências de fumaça no tártaro, provenientes, ao que tudo indica, de alimentos feitos à lenha.
O sítio arqueológico de El Sidrón, descoberto em 1994, possui a maior coleção de neandertais da Península Ibérica.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Por que Dia do Trabalhador e não Dia do Trabalho?















Dia do trabalhador ou do trabalho? A batalha sobre os diferentes significados da data


Frequentemente, os professores de História se defrontam com a necessidade de discutirem com seus alunos sobre os significados de determinadas datas selecionadas no calendário como comemorativas de determinado acontecimento, celebrizado pela memória popular ou pelas autoridades. Uma questão nada fácil é estabelecer um tipo de discussão sobre esses significados, que ultrapasse a mera louvação dos heróis da tradição ou que se esgote numa linguagem estéril e panfletária. Ambas acabam por adotar a mesma postura rasa e linear, que apenas inverte alguns sinais de quem são os mocinhos ou os bandidos, mas que não aprofunda e problematiza as questões que devem estar associadas a um ensino de História efetivamente crítico. A discussão dos significados de certas datas possibilita a problematização de questões que dizem respeito não apenas aos fatos rememorados em si, mas, principalmente, qual a relação que estabelecemos presentemente com essas questões, a partir dos desafios de nosso próprio tempo. No que diz respeito a uma dessas datas, há certa dúvida sobre sua denominação: afinal, 1° de Maio deve ser chamado de Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador? Esse questionamento é um bom ponto de partida para um professor de História discutir com seus alunos. A data de 1° de Maio está associada às lutas operárias do século XIX, que tiveram entre uma de suas grandes causas a jornada de 8 horas diárias de trabalho. Um dos grandes problemas que afligia os operários fabris era o das excessivas jornadas de trabalho sem qualquer proteção aos trabalhadores. Muitas fábricas contratavam mulheres e crianças para atividades estafantes, nas quais os acidentes de trabalho eram constantes e as mortes aconteciam com freqüência. Submetidos a brutais condições de trabalho, péssima moradia e alimentação, os trabalhadores buscavam se organizar para reivindicar direitos. As campanhas pela jornada de trabalho de 8 horas (8 horas de trabalho, 8 horas de descanso e 8 horas de lazer) se alastraram por vários países e provocaram importantes mobilizações de trabalhadores, apesar da intensa repressão que patrões e autoridades promoviam.










A luta pela jornada das oito horas gerou amplas mobilizações em diversos países em todo o mundo






No dia 1° de Maio de 1886, trabalhadores da cidade de Chicago (EUA) promoviam uma manifestação em favor da jornada de 8 horas, quando sofreram ataque da polícia, com saldo de vários mortos e feridos. Nos dias seguintes os protestos se repetiram, culminando com o massacre de Haymarket Square, no qual os trabalhadores foram acusados de atacar a polícia e sofreram brutal repressão e posterior perseguição.
















Massacre em Chicago, que se tornou referência para as lutas de trabalhadores em vários países

A data de 1° de Maio passou a ser adotada pelos movimentos operários como momento de luta contra a exploração do trabalho e o reconhecimento de direitos. Em vários países, a comemoração dessa data marcava um importante momento das lutas dos trabalhadores e de manifestação de suas reivindicações. Ao longo do século XX e início do XXI, no Brasil e em diversos países tivemos momentos de intensas lutas de trabalhadores pela busca de seus direitos, como a busca da proibição da exploração do trabalho infantil, a garantia da seguridade social, a melhoria salarial, entre diversas outras campanhas que mobilizaram gerações de trabalhadores nas cidades e no campo. As greves do ABC paulista, nos finais dos anos 1970, aparecem como um desses importantes momentos de luta, no qual os operários fabris desafiaram seus patrões e a repressão de uma ditadura militar que proibia essas manifestações. Elas marcaram lugar no conjunto das lutas sociais do Brasil nas últimas décadas.
















As greves do final dos anos 1970 no ABC paulista foram momentos significativos de luta dos trabalhadores, que desafiaram os patrões e a ditadura militar

Com o passar dos anos, em vez de simplesmente reprimir as manifestações dos trabalhadores – muito embora a repressão ainda seja prática comum –, as autoridades passaram a buscar o controle da data, tentando “domesticar” essas lutas numa homenagem ao trabalho e não aos trabalhadores. Daí decorre essa disputa em torno dos significados da data: para os movimentos de trabalhadores a data corresponde à manifestação de suas lutas, para as autoridades há a tentativa de restringir a data a uma condição oficial de celebração do trabalho. Em sociedades como a nossa, na qual a superexploração do trabalho é um traço constante, a disputa em torno desses significados do 1° de Maio ganha em atualidade. Certamente o trabalho, como atividade criadora humana, é uma dimensão importante da vida, mas o trabalhador preexiste ao trabalho, ele é que garante esse esforço de criação e recriação da vida e os resultados de seu esforço devem lhe retornar como usufruto dos bens que ele mesmo constrói.



















O avanço das novas tecnologias, apesar das promessas de libertação do trabalho estafante, trouxe novas modalidades de superexploração, que afetam trabalhadores das áreas mais avançadas da economia.



sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Engenho: escravidão e religião





O filme sugere ricas discussões acerca da escravidão e das relações de poder.










Escrevo esse breve texto logo após assistir ao clássico filme cubano A Última Ceia (La Ultima Cena, direção de Tomás Gutiérrez Alea , 1976). Já fazia bastante tempo que ouvira falar dele, mas assisti-lo parecia sempre um objetivo inalcançável, dadas as diversas tentativas frustradas em obtê-lo.
A ação do filme se passa em um engenho de açúcar nas cercanias de Havana, em finais do século XVIII, durante a Semana Santa. Nesse momento, o Conde, proprietário do engenho, se vê dividido entre as demandas da produção, representadas pelo maestro Don Manuel (o administrador) e as cobranças do Padre, preocupado com as práticas cristãs e a obediência ao calendário litúrgico.
Tomado por profundas angústias e dúvidas, o Conde resolve realizar uma representação da Santa Ceia, determinando a escolha de 12 escravos para desempenharem o papel dos apóstolos, assumindo ele o papel de Jesus Cristo. Pretendia o Conde instilar, através do exemplo, as virtudes da obediência, da resignação e da submissão ao poder do Senhor e do seu senhor. Ao longo de algumas horas de banquete, os diálogos apresentam de forma bastante sutil e não-maniqueísta as diversas idiossincrasias das relações entre senhores e escravos e dos escravos entre si, com suas distintas tradições africanas, rivalidades e táticas de resistência frente ao sistema escravista.
Acompanhar atentamente os diálogos entre o Cristo-conde e seus apóstolos-escravos é uma rica experiência de perceber as dissonâncias e os ruídos na comunicação entre pessoas separadas pelo abismo da opressão. Os pequenos deslocamentos dos sentidos das palavras deixam entrever um quase diálogo de surdos, no qual cada um diz algo que os demais compreendem como querem compreender. Cada risada, cada choro tem múltiplos significados perpassados por uma tensão inerente à condição dos personagens.











O Conde-cristo e seus escravos-apóstolos. Diálogo truncado pelas condições concretas da escravidão.


Um ponto fundamental é a compreensão de alguns princípios religiosos como bondade, paraíso, salvação, igualdade, entre diversos outros, que são diferentemente apropriados por escravos e senhores e entre escravos em diferentes situações concretas de vivência do cativeiro. O filme nos leva a pensar no brilhante e mais recente livro Coroas de Glória, Lágrimas de Sangue (1998), de Emília Viotti da Costa, que analisou com grande percuciência uma rebelião de escravos acontecida em Demerara (Guiana Inglesa) no ano de 1823, investigando em especial a relação entre a mensagem religiosa e a escravidão e como as diferentes formas de entendimento da mensagem bíblica entre os escravos poderiam incentivar desde comportamentos compassivos até os mais explosivos.
O filme contou com a assessoria do historiador Manuel Moreno Fraginals, autor do clássico O Engenho (1974), obra na qual o autor analisou em detalhes todo o sistema produtivo açucareiro cubano. Podemos observar, alguns aspectos da produção açucareira e da sociedade que se constituiu em torno do grande complexo produtivo do engenho.
A menção a essas obras acima, nos lembra da importância de percebermos como uma boa investigação não pode desprezar as mais diversas dimensões do fazer histórico, que engloba questões mais amplas da economia política e da cultura, sem incorrer nas práticas reducionistas tão comuns nos dias que correm, através das quais apenas se trocam os sinais dos dogmatismos políticos ou economicistas pelos culturalistas, sem perceber que a história que os humanos fazem em sua vida concreta não separa essas coisas.
A Última Ceia é um filme que suscita muitas outras questões além das que apontamos muito brevemente aqui e que merece ser assistido e debatido nas aulas de História ou em outras ocasiões mais informais, nas quais se queira discutir algo um pouco mais interessante do que as últimas fofocas do Big Brother.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Manifesto da ANPUH sobre medida desastrada do STF

A venda vermelha no Judiciário, pela ignorância em relação à História.





A Associação Nacional de História (ANPUH), através da divulgação do manifesto O STF NÃO SABE O QUE É HISTÓRIA, protestou contra medida da Presidência do STF de estabelecer critérios de relevância de documentos, com evidentes fins de descarte dessas importantes fontes para a pesquisa histórica.

Não é de hoje que os Poderes da República manifestam o maior descaso com a salvaguarda dos acervos documentais e são diversas as denúncias de destruição de documentos em todo o país, fruto da incúria com esse patrimônio público.

No documento da ANPUH (acessível através do link do título dessa postagem) são tecidas severas críticas sobre os conhecidos gastos do Judiciário com instalações luxuosas, ao passo que inexiste uma vontade efetiva de investir na preservação dos acervos documentais, que deveria ser preocupação constante de todas as autoridades constituídas.

Também são tecidas críticas sobre os critérios para definir o que são documentos relevantes para a preservação, uma vez que isso toca em atribuição de certos valores, que tendem a privilegiar grandes personagens e deixar nas sombras as pessoas comuns. Exemplifica-se esse problema chamando atenção para obras que pesquisaram documentos outrora considerados irrelevantes, reconhecidos hoje como de crucial importância para a pesquisa de diversos temas e períodos.

A comunidade dos historiadores deve se manifestar com veemência contra tal tipo de medida, que apenas desserve a historiografia brasileira.

Arqueólogos encontram selo com mais de 1,5 mil anos em Israel

Objeto em forma de candelabro era usado para marcar o pão a ser consumido pelas comunidades judaicas, que viviam sob o Império Bizantino


Um grupo de arqueólogos israelenses encontrou em Acre, no norte do país, um selo com forma de candelabro utilizado para marcar o pão há mais de 1.500 anos, informou nesta terça-feira, 10, a Direção de Antiguidades de Israel em comunicado.

O selo, de pequeno tamanho e feito de cerâmica, deixava sobre a superfície do pão a figura de um candelabro de sete braços como o utilizado no segundo Templo de Jerusalém. Esta era uma forma de marcar o pão destinado às comunidades judaicas da época que viviam sob o Império Bizantino.

"Esta é a primeira vez que um selo deste tipo é achado em uma escavação científica controlada, o que torna possível determinar sua origem e sua data", afirmou Danny Syon, um dos diretores da escavação em um povoado rural aos arredores de Acre, cidade notoriamente cristã naquela época.

Segundo os arqueólogos, o achado demonstra que os judeus viviam na região e que o pão era marcado para enviá-lo aos que residiam dentro da cidade, uma espécie do atualmente empregado selo "kosher" para produtos que respondem às estritas normas da cozinha judaica.

O costume também se assemelha ao dos cristãos da época, que marcavam seus pães com uma cruz. Em letras gregas, ao redor do selo judeu, está o que parece ser o nome do padeiro, "Launtius", comum entre a comunidade judaica da época.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Acervo do Museu da Música de Mariana é reconhecido pela Unesco

Museu da Música de Mariana








A importância do acervo do Museu da Música de Mariana (MG), que abriga mais de 2 mil partituras originais, foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) por meio do Diploma do Registro Regional para a América Latina e o Caribe.

O título foi concedido pelo Programa Memória do Mundo, cujo objetivo é identificar e certificar patrimônios documentais de relevância internacional, regional e nacional, facilitando assim sua preservação e acesso pelo público geral.

Segundo a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a coleção de música sacra manuscrita do Museu da Música de Mariana, considerada uma das mais importantes da América Latina, estava em condições precárias de conservação e foi recuperada graças ao projeto “Acervo da Música Brasileira”, coordenado pelo professor Paulo Castagna, do Instituto de Artes da Unesp.

Detalhe do acervo do Museu da Música de Mariana







O projeto revelou ainda peças inéditas de compositores como Lobo de Mesquita, José Maurício Nunes Garcia e João de Deus de Castro Lobo. Outros menos conhecidos, como Miguel Teodoro Ferreira, Frutuoso de Matos Couto e Manuel Dias de Oliveira, também começaram a ter sua memória resgatada.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Restos maias de dois mil anos são descobertos no México




As mais antigas ossadas da época anterior à chegada dos espanhóis











Arqueólogos mexicanos descobriram restos maias do período pré-hispânico com cerca de dois mil anos de antiguidade. Trata-se dos primeiros encontrados em Mérida, no sudeste do país, divulgou o Instituto Nacional de Antropologia e História.

A instituição indicou em comunicado que os arqueólogos encontraram há alguns dias restos de dois enterros no centro histórico de Mérida, os primeiros da época anterior à chegada dos espanhóis que se localizam na capital de Yucatán e que poderiam corresponder a um assentamento maia denominado região de Joo.

O arqueólogo Angel Góngora Salas explicou que outras ossadas encontradas anteriormente em Mérida pertencem ao período colonial e etapas posteriores, "daí a relevância dos dois enterros humanos encontrados recentemente no Parque Hidalgo", provavelmente dos períodos pré-clássico médio e tardio (600 a.C. a 250 d.C.).

Ele também detalhou que em um deles foi encontrado um esqueleto inteiro junto com cerâmica, no segundo foram encontrado restos de ossos calcinados e cinzas que estavam dentro de uma urna. Os especialistas especulam que se tratou de uma cremação.

Com a descoberta, os pesquisadores têm os primeiros elementos para estudar "costumes funerários maias nessa área", disse Salas. Ele ressalta que os túmulos foram encontrados a pouco mais de dois metros de profundidade em uma escavação para instalar cabeamento subterrâneo.

O especialista lembrou que Mérida foi construída na época colonial sobre um assentamento pré-hispânico da região maia de Joo, o que sugere que os vestígios devem pertencer a esse assentamento indígena.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Decifrada a única inscrição em árabe das Cruzadas

Inscrição do Imperador Frederico II, da época da sexta cruzada.








Uma inédita inscrição em língua árabe das Cruzadas, descoberta num domicílio privado em Tel Aviv há alguns anos, foi finalmente decifrada, informou nesta segunda-feira a Autoridade de Antiguidades de Israel. A placa, de mármore cinza, data do século XIII e leva o nome do imperador do Sacro Império Romano-Germânico Frederico II, líder da Sexta Cruzada (1228-1229) e que se auto-intitulou rei de Jerusalém no Santo Sepulcro, igreja onde nasceu Jesus Cristo.
Os monarcas que se lançaram em conquista da Terra Santa usavam o francês como língua de comunicação e o latim como registro culto e para as inscrições. O latim, portanto, geralmente era a língua usada nas placas das fortalezas e templos construídos pelos reis no período entre sua chegada nas muralhas de Jerusalém, em 1099, até o fim das Cruzadas, em 1271.
Frederico II (1194-1250), no entanto, foi um monarca diferente, que tomou parte da Terra Santa sem derramamento de sangue, falava árabe com fluência e encheu sua corte de muçulmanos, explicou à EFE um dos responsáveis pela descoberta - Moshé Sharon. Antes de receber as chaves de Jerusalém das mãos do sultão egípcio al-Kamil, após um breve armistício assinado em 1229, o imperador mandou fortificar o castelo de Yafa, localidade litorânea que se localiza atualmente na mais importante via marítima de acesso a Tel Aviv.
Frederico II mandou colocar nos muros do castelo duas inscrições com o mesmo texto: uma em latim e outra em árabe, em sintonia com sua proximidade dessa cultura, explicou Sharon, que é especialista em epigrafia árabe e historiador do islã na Universidade Hebraica de Jerusalém. Um dos trechos dá a data exata da inscrição, "1229 da encarnação de nosso senhor Jesus, o Messias", e enumera os títulos do imperador, que foi excomungado pelo papa Gregório IX.
A placa em latim, que já no século XIX tinha sido atribuída ao imperador, encontra-se na Sicília, no palácio onde viveu Frederico. Não se sabia, porém, da existência da inscrição em árabe, peça que tinha sido achada há alguns anos numa casa em Tel Aviv. Só na semana passada, no entanto, os especialistas conseguiram decifrar seu significado completamente. O árabe mudou muito pouco daquela época até hoje, mas a legibilidade da placa estava muito comprometida.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Personagens Históricos

Tradicional vista do Porto do Capim. Para além dos casarões, uma comunidade dá sentido à vida no local.



Nos últimos tempos, têm sido divulgados, com certa frequência, projetos de revitalização de centros históricos de cidades brasileiras. Certamente, os méritos de tais iniciativas são relevantes, mas cabe considerar que tais projetos, muitas vezes desenvolvidos em áreas nas quais habitam populações possuidoras de poucos recursos materiais, não podem nem devem ficar restritos a especialistas que sabem o que é o "melhor para o povo", mas devem considerar o papel ativo dessas comunidades na preservação do patrimônio e na geração de políticas que promovam efetivamente seu bem estar, entre as quais o direito de participar de todas as atividades que envolvem essas áreas "revitalizadas".
Certas iniciativas adotadas com truculência, em décadas passadas, desalojaram famílias e desagregaram comunidades, com efeitos perversos. Em João Pessoa, em relação ao Porto do Capim, temos oportunidade de desenvolver uma política que garanta a preservação do patrimônio em sua ampla dimensão, ou seja, os testemunhos do passado e as pessoas do presente. O texto abaixo foi escrito após uma reunião, na noite de 31 de outubro, e alude à importância dessas pessoas para a história da região.


Comumente, associamos os chamados personagens históricos a pessoas que obtiveram alguma proeminência em tempos passados, que acabaram sendo citados em livros, batizando com seus nomes ruas, praças ou tendo monumentos erigidos em sua lembrança. De forma geral, uma maneira enraizada de se compreender História diz respeito justamente ao estudo desses personagens, de sua trajetória, de seus feitos.
Nas últimas décadas, a ampliação das fronteiras da pesquisa e do ensino de História possibilitou que se percebesse que a construção de todas as sociedades, em diferentes temporalidades e lugares, pressupõe a presença de um número muito maior de personagens que aqueles celebrizados anteriormente. Não que os homens e mulheres mais poderosos tenham sumido da História, mas que sua ação não se deu sem que tenha interagido com muitos e muitos outros agentes. Há algumas décadas, em sua “Carta a um Operário que Lê”, o dramaturgo alemão Bertolt Brecht já nos provocava a perceber que para além dos grandes reis e governantes, havia muitas e muitas pessoas que haviam construído a História, com os seus trabalhos, suas lutas cotidianas, suas produções culturais.
Também o que se convencionou chamar patrimônio histórico rompeu os limites mais estreitos que o associavam estritamente aos grandes testemunhos arquitetônicos e monumentais do passado, abrindo-se para a percepção das coisas mais modestas, chegando mesmo às próprias pessoas, como verdadeiro patrimônio humano e aquele que dá sentido a todos os demais.
Essa ampliação, chama para o proscênio novas vozes, que não podem nem devem ser silenciadas, a troco de fazermos valer a truculência que se apresenta em sua face brutal (comumente manu militari), mas que também tem uma face mais sofisticada e pretensamente moderna, travestida de ciência, mas que não passa de expediente para justificar os mesmos fins inconfessáveis e solertes. Emudecer essas vozes é diminuir mesmo a nossa condição de humanidade, ainda que nos dediquemos ao que se convencionou chamar de ciências humanas, mas que em muitos casos está mais a serviço da desumanização tecnocrática e da competição insana que assola os meios acadêmicos.
Na noite de 31 de outubro, tivemos a chance e o privilégio de nos defrontarmos com grandes personagens da História da Paraíba. Seus nomes não estão nas praças e monumentos, mas representam o que há de melhor na nossa gente, que labuta diariamente para viver a custa de seu próprio suor, sem explorar o alheio. Em pleno Varadouro, ponto no qual se deram os primeiros ensaios de uma cidade há quase cinco séculos e que bem antes já fora ocupado por populações indígenas que habitaram a região, conhecemos pessoas que repetem as lutas de seus antepassados por uma existência digna, respeitável e respeitada. Gente que mora para além dos grandes casarões e que o olhar clean de certas práticas patrimoniais e turísticas teima em obliterar.
Tivemos a honra de conhecer seu João Alagoano, com seus 78 anos bem vividos, construindo o sustento de uma numerosa e valorosa família e que deseja apenas ter respeitado o seu direito de permanecer onde está, recebendo a todos que o venham visitar com grande generosidade, mas sem subserviência.
Ouvimos o valioso depoimento de Dona Maria, falando de suas mangueiras, coqueiros, passarinhos, caranguejos e da visita cotidiana dos sagüis, que alegram sua casa e que ela pretende continuar a receber com a mesma alegria de sempre.

Para além dos casarões, há uma laboriosa comunidade, que preserva seus hábitos e exige respeito.










Muitos, muitos outros lutadores e lutadoras dessa comunidade, do Porto do Capim, que estão lá desde que esse velho mundo é mundo, querem melhorar suas vidas, mas querem que tudo isso se dê com o devido respeito e sensibilidade, para os quais não cabem termos como remoção ou coisa que apenas trai a intenção de quem quer produzir um “não-lugar” em meios às futuras ruínas do passado humano fetichizado em formas arquitetônicas, que não são nada mais nada menos que a evidência da passagem de outras vidas pelo tempo. Vidas que construíram esses lugares e que continuam a construí-los e lhes conferir sentido.
Uma política de patrimônio e turismo deve estar aberta para conversar com essas pessoas como quem bate uma boa prosa, à sombra das mangueiras, em meio à algazarra dos sagüis, tendo em mente que essas pessoas têm, antes das autoridades ou da academia, o direito de determinar os seus próprios futuros e definir os seus próprios sentidos de felicidade.

domingo, 30 de outubro de 2011

Acampamento estratégico romano é descoberto na Alemanha













Moedas e outros objetos foram encontrados na área do antigo acampamento romano.


BERLIM - Nas margens do rio Lippe, na região alemã de Westfália, foram descobertos os restos de um grande acampamento romano estratégico que fechava a linha defensiva do local e servia de entrada para a antiga Germânia até o rio Elba.

Wolfgang Kirsch, diretor do Instituto Arqueológico de Westfália Lippe (LWL), informou nesta terça-feira, 25, que os especialistas levaram mais de um século procurando este acampamento, que tem o tamanho de sete campos de futebol e está situado a 30 quilômetros da cidade de Dortmund, no oeste da Alemanha.

Dessa base, os soldados controlavam o rio Lippe, "uma das importantes regiões logísticas para os conquistadores romanos", disse Kirsch, que considerou a descoberta como "sensacional para a investigação da época romana em Westfália".

Kirsch acrescentou que as primeiras pistas sobre a localização do acampamento surgiram há três anos, quando arqueólogos descobriram moedas de cobre em um campo e escavações de prova posteriores encontraram restos de cerâmica e de uma cerca de madeira.

O acampamento romano de Olfen foi supostamente construído no início da ocupação da Germânia na margem direita do rio Reno, na época das campanhas bélicas de Druso, na última década antes do começo de nossa era.