quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Rio: escavações revelam tesouro arqueológico em lixo da realeza

Arqueólogos acreditam que poderão recuperar até um milhão de peças, no que poderia ser um dos maiores achados arqueológicos do Brasil


Pasta para limpeza de dentes.
Um despejo do século 19 revelou no Rio de Janeiro um grande tesouro arqueológico com centenas de milhares de peças, incluindo uma escova com uma alusão ao imperador Dom Pedro II, que jogam luz sobre os costumes mais mundanos da elite da época da independência do Brasil.
Os arqueólogos catalogaram cerca de 200 mil objetos em bom estado de conservação em seis meses de trabalho e acreditam que poderão recuperar até um milhão de peças, no que poderia ser um dos maiores achados arqueológicos do Brasil, disse à Agência Efe o responsável pelas escavações, Cláudio Prado de Mello.
No acervo de peças encontradas estão restos de cosméticos franceses, água mineral importada da Inglaterra e um frasco de colônia com o curioso nome de "Anti-Catinga". Também há pratos e vasilhas de cerâmica, garrafas de licores e água, cachimbos com restos de tabaco, potes de porcelana com ungüentos e frascos com líquido em seu interior, que poderiam ser produtos medicinais, segundo os arqueólogos.
Manufatura indígena do século XVII.
As escavações mais profundas desencavaram objetos até do século 17, entre eles, alguns de manufatura indígena, como um raspador de sílex e um cachimbo feito com um chifre, que contrasta com outros cachimbos muito diferentes que pertenceram ou aos colonizadores europeus ou aos escravos africanos.​
Os europeus vão desde simples cachimbos de caulim até outros mais elaborados com cabeças de personagens talhadas, enquanto os dos escravos estavam decorados com grafismos que se correspondem com as escarificações ou marcas corporais que se tatuavam as tribos africanas.
Os arqueólogos fizeram a descoberta no início deste ano, quando se iniciaram no local obras relacionadas com a expansão do metrô. Devido a essas obras, que se prolongarão até 2016, os arqueólogos tiveram que interromper as escavações e terão que esperar três anos para voltar a abrir as fundações.
Então prosseguirão com os trabalhos para recuperar o "lixo" dos herdeiros da Casa de Bragança, a dinastia portuguesa, nos anos que fizeram do Brasil um Império, quando nem imaginavam o valor que teriam seus resíduos. 

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